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Existem metódos de classificação das mal oclusões que são usados para se fazer no tratamento ordôntico. O  palnejamento é o mais importante para o resultado e deve ser feito criteriosamente levando em consideração a queixa principal do paciente, o  diagnóstico da má-oclusão e o perfil facial.

Um tratamento bem feito deve diagnosticar corretamente o tipo de oclusão

Um tratamento bem feito deve diagnosticar corretamente o tipo de oclusão

Uma das principais formas de classificação é a classificação de Angle ,onde dividimos a oclusão em: Classe I, Classe II e Classe III.  Após isso usamos também a classificação de Simon (1979) que define o plano facial do paciente no sentido: ântero-posteriores, médio-laterais e verticais. Temos também a classificação dos giros dos dentes e dos arcos dentários, chamada de classificação de Lischer(1910). Muitas vezes o tratamento também é guiado pelas seis chaves da oclusão normal que é a principal e uma das mais importante classificação das oclusões.

Dessa forma, o entendimento do que é ortodontia e do seu própio tratamento pode ser primordial e auxiliar nos resultados. é óbvio que somente um especialista da área pode informar e esclarecer as dúvidas dos seus pacientes, levando em consideração que existem diversas técnicas e métodos de diagnóstico, palnejamento e tratamentos.

Segue por completo uma cópia do texto que inclue os artigos e livros referênciados nesse post:

AS SEIS CHAVES DA OCLUSÃO NORMAL (Lawrence Andrews)

Essas 6 chaves reúnem as características significantes encontradas nas dentaduras normais de pacientes não ortodônticos:

CHAVE I – Relação molar

Os primeiros molares permanentes superiores mostram três pontos de contato evidente com os dentes antagonistas.

A. A superfície distal da crista marginal distal do primeiro molar permanente superior contacta e oclue com a superfície mesial da crista marginal mesial do segundo molar permanente inferior.

B. A cúspide mésio-vestibular do primeiro molar permanente oclue dentro do sulco existente entre a cúspide mésio-vestibular e mediana do primeiro molar permanente inferior tão almejada por ANGLE. Entretanto, só isto pode ser insuficiente como torna-se evidente é possível conseguir esta relação num arco onde o segundo pré-molar superior não oclue na embrasura entre o segundo pré-molar e o primeiro molar inferior , e onde não existe o contato citado previamente em “A”.

C. A cúspide mésio-palatina do primeiro molar permanente superior adapta-se a fossa central do primeiro molar permanente inferior. (Os pré-molares e os molares demonstram uma relação de “cúspide – embrasura” vestibularmente, e uma relação de “cúspide-fossa” ligualmente. A ponta da cúspide do canino superior encontra-se ligeiramente para mesial em relação á embrasura canino pré-molares, inferiores que está em concordância com o conceito de desoclusão pelo canino).

Exemplificando a sub-chave “A” citada previamente: quanto mais crista marginal distal do primeiro molar permanente superior aproxima-se da crista marginal mesial do segundo molar permanente inferior, melhor a oportunidade para uma oclusão normal dos dentes remanescentes. A relação molar correta, encontrada nos modelos de oclusão normal, sem tratamento ortodôntico.

CHAVE II – Angulação da Coroa (“ Inclinação” Mésio Distal )

A porção cervical do longo eixo de cada coroa encontra-se distalmente com referência a porção oclusal do longo eixo, variando individualmente com o tipo de dente.

Longo eixo da coroa. Como ortodontistas, trabalhamos especialmente com as coroas dos dentes; portanto, subentende-se que as coroas devem ser usadas como nosso ponto de referência, constituindo nossa base clínica.

Neste artigo o termo “angulação” refere-se à “inclinação” mésio-distal do longo eixo da coroa; e não à angulação do longo eixo de todo o dente.

Na figura em que segue, a inclinação mésio-distal da coroa é expressa em graus, positivo ou negativo. Como claudicado em “definições”, uma leitura é considerada “positiva” quando a porção gengival do longo eixo da coroa está mais para distal que a porção incisal. Uma leitura “positiva” prevaleceu entre os modelos com oclusões normais não ortodônticos; isto é, a maioria exibiu uma angulação distal da porção cervical da coroa. O grau de inclinação varia, dependendo do tipo dentário; contudo, dentro de cada tipo, o padrão de inclinação encontrado foi compatível com o indivíduo (assim como as localizações dos pontos de contato, estabelecidos por WIIEEIER eram concordantes para cada tipo de dente). Uma diferença entre longo eixo da coroa e longo eixo do dente foi resumido desta maneira por B.F.Vewel:” … uma linha passando pela coroa do dente está ligeiramente para mesial em relação a linha da raiz. Estas linhas, além do mais não são paralelas; pelo contrário a linha  da raiz inclina-se para trás a partir da linha da coroa de modo que a raiz aparenta inclina-se numa direção distal. Essa linhas não são retas, mas inclinadas.

A oclusão normal também está na dependência da angulação adequada da coroa dentária, especialmente dos dentes anteriores superiores visto que eles apresentam as coroas mais longas. Um retângulo ocupa um espaço muito maior quando inclinado do que quando verticalizado, e basicamente os dentes anteriores são retangulares. Deste modo, o grau de inclinação dos incisivos, por exemplo, “determina a quantidade de espaço mésio-distal consumida por eles e, portanto, tem um efeito considerável sobre a oclusão posterior bem como sobre a oclusão posterior bem como sobre a estética anterior”.

CHAVE III – Inclinação da Coroa: Inclinação Vestíbulo Lingual ou Inclinação Lábio-Lingual

A. Dentes anteriores (incisivos centrais e laterais): a inclinação das coroas anteriores superiores e inferiores suficiente para opor-se à sobre-erupção dos dentes anteriores, e capaz de possibilitar também um posicionamento distal adequado dos pontos de contato dos dentes superiores em relação aos dentes inferiores, permitindo uma oclusão adequada das coroas dos dentes posteriores. Como norma geral, a porção cervical do longo eixo da coroa dos incisivos superiores inclina-se para lingual em relação à sua superfície incisal.

Nas outras coroas, a porção cervical encontra-se inclinada para vestibular ou labial, em relação à porção oclusão. A média do ângulo inter-incisivos das coroas foi 174°.

A inclinação dos incisivos superiores e inferiores são complementares, e influem significantemente tanto na sobremordida como na oclusão posterior. A inclinação adequada das coroas dos dentes anteriores contribuem para o trespasse vertical e oclusão posterior normais; as coroas dos incisivos que se encontram muito vestibularizadas perdem sua harmonia funcional, ocasionando uma sobre-erupção. As coroas dos dentes posteriores superiores estão à frente de suas posições normais quando as coroas dos anteriores superiores apresentam uma inclinação insuficiente e com contatos interproximais apertados. O sobrepasse apresentado na, evidência as coroas dos dentes anteriores inclinados corretamente, conduzindo os dentes posteriores para sua respectivas posições. Os pontos de contatos dos dentes posteriores movem-se distalmente em conformidade com o aumento na inclinação lingual da porção cervical das coroas anteriores superiores.

Quando os dentes posteriores superiores apresentam-se em boa oclusão com os dentes posteriores inferiores, mas a inclinação (e/ou angulação) das coroas dos anteriores não são suficientes surgirá espaços indesejável em lugar, entre os dentes anteriores e os posteriores, como mostrado. A presença de tais espaços, nos casos tratados, frequentemente é atribuída incorretamente às discrepâncias de tamanho dentários.

A média do ângulo inter- incisisvos das coroas nos casos normais não tratados, frequentemente é atribuída incorretamente ás discrepâncias de tamanho dentário.

A media do ângulo inter-incisivos das coroas nos casos normais não tratados ortodonticamente é de 174º. Este ângulo, diferindo do ângulo inter-incisivos convencional, trata-se de uma medida angular dos longos dos eixos dos dentes. O ângulo inter-incisivos de coroa tem uma maior aplicação clinica.

A inclinação lingual do longo do eixo da coroas de caninos e pré-molares foi constante e semelhante.

A inclinação lingual das coroas foi ligeiramente mais pronunciada nos molares que nos caninos e pré-molares.

A inclinação lingual ao longo do eixo das coroas aumentou progressivamente dos caninos aos segundos molares.

Como foi esclarecido de antemão, o ângulo da coroa com o plano oclusal é considerado ‘positivo’ quando a porção cervical da coroa (ou da linha tangente) está deslocado para lingual em relação à porção incisal, como está ilustrado na figura.

Uma leitura é registrada “negativa” quando a porção cervical da coroa (ou da linha tangente) está inclinada para labial ou vestibular com referência à porção incisal, como exemplificado.

Inclinação e Toque – Antes de prosseguirmos para a chave IV da oclusão normal, devemos considerar um fator relevante que envolve as implicações clínicas das 2ª e 3ª, chaves (angulação e inclinação), e a maneira na qual elas afetam as coroas dos dentes ântero-superiores, bem como todo o plano oclusal.

À medida que a porção anterior de um arco retangular superior está recebendo torque lingual, ocorre uma inclinação mesial proporcional nas coroas anteriores. Se você sente que está perdendo espaço com esta inclinação à medida que aumenta o Torque anterior, você está certo.

Os mecanismos implicados na inclinação e torque são melhor entendidos se observamos um arco retangular sem dobras com fios verticais soldados perpendicularmente, espaçados de tal maneira que represente os incisivos centrais e laterais superiores.Quando é dado torque lingual na porção anterior do arco, os fios verticais começam a convergir.

À medida que o torque vai sendo aumentando, paulatinamente os fios verticais vão se dispondo à semelhança dos aros de uma roda.

A proporção é aproximadamente 4.1. Para cada 4 graus de torques coronário lingual no arco há 1 grau de convergência mesial na porção cervical das coroas dos incisivos centrais e laterais. Por exemplo, se o arco recebe 20 graus de torque na área dos incisivos centrais, existirá uma resultante de convergência mesial de 5° de cada incisivo central e lateral. Visto que a inclinação distal média dos incisivos centrais é 15°, será necessário colocarmos +10 de inclinação distal no arco para obtermos uma resultante de +5 de inclinação distal na coroa (este problema mecânico pode ser bastante facilita-se a inclinação e o torque são imprimidos nos braquetes ao invés de serem manipulados no arco).

CHAVE IV- Rotações

A IV chave para a oclusão normal é que os dentes não apresentam rotações indesejáveis. A posição alterada do pré-molar revela que, quando rotado, o pré-molar ocupa mais espaço do que ocuparia normalmente, criando uma situação inadequada para a oclusão normal.

CHAVE V-Contato Interproximais Cerrados

Os pontos de contados devem estar cerrados (sem espaço). As discrepâncias dentárias evidentes são atribuídas a problemas diversos; porém, na ausência de tais anormalidades existiriam contatos interproximais cerrados, como nas oclusões normais não ortodônticos (As discrepâncias dentárias acentuadas devem ser corrigidas proteticamente, assim os ortodontistas não teriam que fechar espaço à custa de uma boa oclusão). Vide Figs. A e B.

CHAVE VI- Curva de Spee

A curva de Spee encontrada em modelos normais não tratados ortodonticamente variou de um plano a uma curva moderada. A maior profundidade de curva de Spee, medida a partir da cúspide mais proeminente do segundo molar ao incisivo central inferior, foi de 1,5mm.

Embora nem todos os modelos normais não ortodônticos apresentassem curvas de Spee plana, uma melhor intercuspidão é obtida quando a curva está praticamente ausente; assim, o nivelamento da curva seria um dos objetivos do tratamento.

Os dentes antero – inferiores apresentam tendência para extruir e as vezes para apinharem. Quando isto acontece, a curva de Spee aumenta.

A sobrecorreção é justificada pelo reconhecimento da tendência à recidiva. Na maioria dos casos tornam-se necessário bandar os segundos molares permanentes a fim de obter uma ancoragem efetiva para nivelar curva de Spee.

Uma curva de Spee muito acentuada resulta numa área mais restrita para os dentes superiores, tornando impossível a oclusão normal. Os demais dentes superiores, anteriores e posteriores ao primeiro pré-molar, revelam uma inclinação progressiva.

A reversão da curva de Spee estabelece uma forma extrema de sobrecorreção, permitindo espaço demasiado para os dentes superiores (não recomendada).

CONCLUSÃO

Não existe dois seres humanos exatamente iguais, mas todos apresentam muitas características em comum; por exemplo, todos nós temos uma cabeça, dois braços e duas pernas. Devemos esperar que a mesma paridade exista nas características básicas da oclusão normal, e isto é o que acontece.

Os 120 modelos de oclusões normais não ortodônticos discutidos neste artigo diferem entre si em alguns aspectos. Mas geralmente possuem as 6 características descritas, e a falta de uma ou mais destas chaves resulta numa oclusão inadequada.

Na prática ortodôntica de rotina, a grande quantidade de opções para o tratamento e para avaliar os resultados finais, gera dúvidas. As finalidades são arbitrárias ou indefinidas. Na ausência de um objetivo definido, as decisões são dogmáticas ou por tentativas, mas sempre variadas, contraditórias e contestáveis. À medida que nosso conhecimento e tecnologia se aperfeiçoam, os nossos resultados finais tornam-se mais precisos; mas a princípio, devemos ter conhecimento dos resultados que devem ser obtidos.

As seis chaves para a oclusão normal são elementos interdependentes de um sistema estrutural determinado pela natureza. Como tal, elas servem de base para a avaliação dos resultados ortodônticos, o mais importante, na maioria dos casos é que elas podem ser o objetivo do tratamento. Para alcançar estes objetivos com todos os pacientes não é possível, porém não obtê-los quando eles podem ser alcançados é inaceitável.

Se nenhum das normas propostas justifica o exame minucioso e a aceitação geral, é tempo para replicação de pesquisas e testes feitos até então, ou é tempo para novas pesquisas. Porém, se a ortodontia está de acordo com as características da oclusão normal e, consequentemente, com os objetivos almejados no final do tratamento, talvez é chegado o tempo em que a prática da ortodontia possa se tornar objetivada.

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4 Comentários

  1. Muito bom o artigo e o nível técnico do autor. Parabéns

  2. cristiane disse:

    olá dr. micael, estou desesperada já faz 3 anos que estou com o aparelho fixo, a 1 ano ela começou levar o dente pra traz coloca o ultimo molar no lugar do ciso onde foi extraido até agora ela disse que moveu dois e ainda falta 3 pelo jeito eu devo ficar mais uns 2 anos ela disse que quer criar espaço pra alinha o dente . na ultima conversa ela disse que já nao garante que meus dentes vao ficar alinhado totalmente e ela disse que se eu estever insatisfeita que eu pare com o tratamento, e agora dr. continuo ou eu paro , faço as manutençao a 3anos e agora sai assin sen nenhum resultado, e outra pra que clinica devo ir e como confiar, depois dessa insatisfaçao por favor me manda a resposta eu ja nao estou dormindo direito com esse problema
    obrigado!

    • Dr. Micael disse:

      Cristiane,

      O tratamento ortodôntico é algo bem sério , depende muito do profissional , da técnica utilizada e da resposta biológica e comportamental do paciente. Em relação ao seu caso eu não tenho como opinar precisamente pois não te avaliei.Na minha opinião, acho que o planejamento realmente tem que ser discutido com o paciente para que ele fique seguro do que esta sendo feito, inclusive ser passado o tempo estimado para o tratamento .
      O que eu te indico é que você precisa finalisar o seu caso e que seria importante que fosse um especialista mas não só isso que você tivesse bastante segurança no seu ortodontista.

      Dr. Micael Ferraz

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